CATARINA LEITÃO DENDROGRAMA (TREE-KIT)

Um projecto sobre a portabilidade, o desenho no espaço, repouso/agência e a ideia (intraduzível) de freedom of display.

Dendrograma | Tree-kit é o produto de uma pesquisa sobre as possibilidades do desenho no espaço. Composta por módulos de madeira pintada, esta peça funciona como um desenho tridimensional que incorpora os efeitos de luz e sombra que se projectam nas superfícies do seu contentor — o espaço de exposição.

Dendrograma é um Kit, as suas peças modulares são ramos transformados que se encaixam uns nos outros e podem ser montados como uma tenda. Este processo torna a obra portátil e mutante: pode estar fechada ou aberta, em repouso ou a actuar no espaço quando manipulada por um participante. Este Kit condensa três momentos: um inicial, de repouso e portabilidade (fechado, bidimensional), o acto performativo (abrir, instalar), e o corpo expandido (aberto, tridimensional).

No meu trabalho tenho vindo a desenvolver séries de narrativas ficcionais que partem de uma análise da nossa relação com a natureza, uma relação que é culturalmente condicionada. Os Dendrogramas partem de um estudo de botânica ficcional no qual são criadas novas espécies vegetais desenhadas. As espécies inventadas são delírios sobre formas naturais domesticadas, mimetizadas, manipuladas e hibridizadas. Num processo de indiferenciação entre o natural e o artificial, entre o observado e o imaginado, os desenhos propõe tanto a ideia da colonização humana do natural como o seu inverso, uma ocupação natural das formas que aprendemos a considerar artefactuais. Os Cadernos de Campo VI, aqui em exposição, pertencem a um conjunto de desenhos em aguarela, onde são representadas espécies em estudo a par de formas esquemáticas — diagramas inconclusivos.

As formas em haste/ramo da instalação Dendrograma são ramos de árvore esculpidos e transformados. O material original é ocultado, para criar novas formas de ramo/árvore — limpas, domesticadas, artificiais e portáteis.

A exposição composta por dois conjuntos, um desenho no espaço e um conjunto de desenhos sobre papel, intrica facto e ficção, orgânico e mecânico, natural e artificial, escultura e desenho.

Ainda em processo, o meu estudo em botânica ficcional tem sido gerador de múltiplas obras em diversos media. Instalações, objectos, livros e desenhos constituem no seu conjunto um discurso que questiona os próprios modos de apresentação, circulação e contextualização da obra. Neste enquadramento, a minha pesquisa culmina na figura do museu portátil. O museu portátil é uma forma de museu liberta do peso institucional, é leve; pode viajar, não tem contexto fixo, e, mais importante, é dotado de sentido de humor.

Catarina Leitão, 2016